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CULTURA, LEI ROUANET E O CIRCO

Nunca antes na história desse país se ouviu falar tanto em cultura e lei rouanet. Já sobre circo, estamos acostumados.

Fruto de um processo midiático ilustres representantes da trupe criaram um espetáculo, para sair na mídia, em função da Lei Rouanet. Na visão simplista, as principais alegações são: os altos valores destinados à projetos pífios, projetos privados bancados com dinheiro público e uma série de bravatas em função do tema. Não podemos ser como crianças inocentes, é notório, que para toda ação que acontece no circo – sem querer ofender os palhaços – pode ocorrer a palhaçada. Porém, olhar de forma ignorante para a situação faz prevalecer a cultura do superficial e da análise grosseira de medalhões da mídia que, tão somente, gritam pela audiência. Como ficou evidente na votação pelo processo do impeachment em 2016, não há interesse direto pela situação a ser votada. Trata-se de uma teia de interesses políticos e questões misteriosas que nem sob tortura em um globo da morte nossos ilustres revelariam.

Há uma completa falta de informação sobre os mais diversos aspectos da Lei Rouanet. O incentivo fiscal dado pelo governo é uma política econômica que visa facilitar o aporte de capital em uma determinada área através da cobrança de menos impostos ou a isenção da cobrança, visando sempre o aquecimento econômico da respectiva área que recebe o incentivo. Por alguns anos houve a isenção de IPI nos automóveis. Pouco se ouviu a massa reclamando dessa isenção. Na mentalidade do consumidor a redução do IPI é algo que permite o acesso a um automóvel, que antes, era impossível sem a isenção. Sendo assim, a população obteve mais acesso aos veículos e consequentemente aqueceu a economia. Logo, independente da área, o incentivo fiscal facilita o acesso ao consumo.

Os mais radicais diriam que dinheiro à ser investido em hospitais são desperdiçados com cultura. Certamente, alguém que constrói esse argumento não valoriza o investimento em cultura. Há muito esta lhe falta. Seguindo a lógica do circo, não é porque um palhaço está doente que a caravana vai parar. Se tratando de um país, chega a ser patético esse tipo de argumento. Claro, entende-se a prioridade que é investir em saúde e segurança, mas dizer que os 0,5% de incentivo fiscal destinado a Lei Rouanet irá mudar a história dos hospitais pelo Brasil soa mais como o “espetáculo a qualquer custo” do que realmente o interesse por fazer um país melhor.

Um dos propósitos da MIND ao longo da sua história foi apostar na cultura e o poder que há quando a iniciativa privada torna-se parceira do governo apoiando projetos culturais incentivados. A cultura permite um sorriso que transforma, expande a mente para novas ideias e soma-se a base de qualquer sociedade: a educação. É assim que seguimos, acreditamos no circo, sabemos que ele tem problemas estruturais, mas o show não pode parar. A Lei Rouanet não pode ser criminalizada. Ela proporciona acesso à cultura para os brasileiros e fomenta a economia cultural de forma extraordinária.

Resta-nos acreditar que o sorriso, em breve, voltará a ser verde e amarelo.

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